POR QUE O DÓLAR A 3,50 OSCILA MENOS QUE A 4,00?

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Quem esteve ativo no mercado durante o ano de 2018 e início de 2019 está notando o quanto é exigido do trader uma qualidade indispensável para uma carreira de longo prazo: a flexibilidade.

Se você ainda não passou por isso, saiba que em um determinado momento o mercado mudará, a volatilidade ficará mais estreita e você deverá se adaptar à nova realidade, caso queira continuar fazendo dinheiro no day trade.

Como o tema do artigo de hoje é o dólar, vou me concentrar nas variáveis que provocaram essas mudanças bruscas em sua volatilidade e que tipo de adaptação nós traders tivemos que implantar.

Já falei em outros artigos que o real motivo do preço se movimentar é a disposição dos players em continuar comprando cada vez mais caro, ou então vender a preços cada vez mais baratos.

É claro que uma decisão de compra/venda não ocorre de forma discriminada. Na verdade, o envio de uma ordem ao mercado é a representação do que o participante acredita a respeito do cenário macroeconômico ao qual o ativo está inserido. No caso do dólar, são três os pilares que norteiam a decisão dos players: expectativa de inflação ancorada, balanço de riscos e câmbio flutuante.

Expectativa de inflação ancorada é a projeção que os players fazem para a inflação. Quanto mais próxima do centro da meta, mais o Governo demonstra que está sabendo gerir um ambiente de negócios equilibrado, mantendo os índices de produção o consumo saudáveis, sem que um se sobreponha ao outro.

O balanço de riscos basicamente corresponde à capacidade do Governo de honrar seus compromissos. Significa dizer que há menos credibilidade quando se gasta mais do que arrecada.

Por fim, câmbio flutuante diz respeito a menos controle estatal perante a moeda. O câmbio deve ser conduzido preferencialmente pela lei da oferta/demanda. Logo, a atuação estatal está restrita a ataques especulativos sem motivos, que tendem a elevar a cotação da moeda apenas para obter lucros no curto prazo.

No início de 2018, o mercado via com bons olhos a política econômica implementada pela equipe do Governo Temer, que colocou o Brasil na rota de resolução da grave crise fiscal que vivemos. A inflação passou a ser controlada e a economia deu sinais de melhora nos níveis de confiança, o que abriu espaço para chegarmos a uma taxa de juros anual de 6,5% a. a. (o menor patamar da história).

Restava ainda a esperança de aprovação de uma medida ainda mais audaciosa e que impactaria positivamente a gestão das contas públicas: a Reforma da Previdência. Porém, com a greve dos caminhoneiros, o Governo se viu pressionado por uma crise que afetou toda a população e não teve força política suficiente para dar andamento à PEC que tratava deste tema.

Como a Reforma da Previdência é uma medida essencial para o ajuste fiscal e havia o risco do resultado das Eleições acabar conduzindo ao cargo um Presidente avesso a uma mudança mais incisiva, os meses de maio a outubro foram marcados por incertezas que reduziram a entrada de capital estrangeiro no país, levando o dólar ao patamar dos R$ 4,00.

Passadas as eleições e reafirmado o compromisso do Governo eleito com o ajuste fiscal e agenda de reformas, o mercado respondeu positivamente às medidas anunciadas e isso trouxe novamente o dólar a um patamar intermediário, agora oscilando entre R$ 3,50 e R$ 3,80.

No âmbito interno, esses foram os motivadores que estiveram no radar dos grandes investidores. No âmbito externo, as atenções se voltaram tanto para o risco de intensificação da Guerra Comercial entre EUA x China, como para os indícios de desaceleração econômica mundial. Neste último aspecto, pesaram os dados mais fracos por economias importantes como China, Japão e Alemanha, o Brexit do Reino Unido, o aumento dos estoques de petróleo e a alta na inflação norte-americana, que levou o FED a aumentar a taxa de juros por lá praticada.

A aversão ao risco e o aumento da volatilidade

Traçamos esses fatores porque são os que levam os investidores a montar ou não uma posição mais agressiva no dólar. O dólar é um ativo de proteção ao risco, já que é a moeda oficial da maior economia do mundo e para onde a maioria transfere seus recursos em caso de nova crise econômica e/ou de confiança.

Conforme dito anteriormente, no primeiro semestre, o mercado permanecia otimista em relação à Reforma da Previdência e o exterior não sofria com a intensificação da Guerra Comercial entre EUA x China. Assim, o dólar caminhava em um patamar de tranquilidade, com muito capital estrangeiro entrando no país, o que proporcionava uma maior oferta que deixava os players mais seguros para posicionar lotes na tela.

Quanto mais lotes na tela, maior é a dificuldade de fazer o mercado andar porque a liquidez por nível de preço aumenta e com isso, o dólar tende a andar menos, já que a demanda dos players é atendida com maior facilidade.

É preciso saber todos esses detalhes de macroeconomia para ser um bom day trader? Não! Até porque é fácil falar a respeito da motivação dos players olhando para o passado. Mas o mercado se mexe no presente, olhando para o futuro. No real time, um trader pessoa física não é capaz de captar e real dimensão desses eventos. Grandes corporações financeiras e grandes players mantêm competentes equipes de trabalho coletando informações e analisando dados que os colocam muito à frente no que diz respeito à previsibilidade do cenário macroeconômico. Esse tipo de estrutura não é acessível ao trader de varejo. É algo restrito aos Institucionais.

Porém, a tomada de decisão desses players chega ao mercado no formato de uma ordem. E, tendo em vista os valores vultosos que eles manipulam, nós traders de varejo conseguimos ter uma boa percepção da direção do mercado justamente pelo impacto que essa magnitude de ordens provoca no preço. É analisando o fluxo real e persistente de ordens enviadas ao mercado que extraímos as melhores oportunidades de fazer dinheiro no day trade.

E como fica a dinâmica das ordens enviadas ao mercado quando há mais ou menos aversão ao risco?

É difícil cravar a forma que os players executam suas ordens, pois eles estão sempre aperfeiçoando seus métodos de envio. Entretanto, é possível identificar algumas evidências. Tratarei delas a partir de agora.

Com o vento mais favorável e um cenário de menos incertezas, a previsibilidade dos players aumenta, fazendo com quem larguem mais lotes na tela. Você tem o exportador e o importador exigindo menos demanda para o seu hedge e tem o investidor estrangeiro entrando com um grande capital, o que aumenta a oferta de dólar no mercado. Se a oferta aumenta, mais fácil fica de atender à demanda e menos volatilidade há no mercado.

Agora, em um cenário de crise, a oferta diminuiu porque os investidores estrangeiros retiram seu capital. Essa perspectiva de aversão ao risco faz com que exportadores e importadores fiquem mais receosos e a procura por hedge se intensifica. Ou seja, diminui a oferta e aumenta a demanda. Consequentemente, aumenta a volatilidade do dólar.

Esteja mais solto no mercado

É fundamental que você desenvolva a leitura de fluxo de ordens, sobretudo a análise da agressão, porque você passará a medir a urgência do mercado no que diz respeito à oferta/demanda do ativo. Somente identificando o comportamento do mercado é que você traçará a melhor estratégia e conseguirá tirar proveito das oscilações do preço.

Assim sendo, não dá para querer alongar os trades em um mercado mais otimista. Nestes casos, o mercado tende a “tickar” menos, a troca de preço é lenta e, assim como fazem os grandes players, você terá que se mostrar no mercado, isto é, terá que tomar risco e mostrar mais lotes na tela.

Em contrapartida, em um mercado mais volátil, se a maioria está escondendo lote, está mais cautelosa e agressiva, as melhores formas de entrar na operação é agredindo. Esse tipo de mercado tende a andar mais, o que nos abre oportunidade para alongar o trade, seja a favor (rompimentos) ou contra o movimento (inversão de fluxo).

O grande erro dos traders de varejo, como ressaltei no artigo “O Segredo para se Manter Consistente por Muitos Anos”, é querer enxergar o mercado a partir de sua estratégia e não da forma com que ele realmente está se comportando.

Não pense que a estratégia que funciona hoje assim permanecerá. O mercado muda e se você não mudar junto, será expulso por ele. Eu entendo, é bom demais entrar naquele trade e ver sua posição ganhar 4, 5 ou até mesmo 10 pontos. Mas esse tipo de oportunidade não dura para sempre.

Poxa André, mas o que fazer quando este momento chegar e o mercado mudar?

Em relação ao aspecto operacional, tratei deste tema no artigo que citei mais acima. Sendo assim, irei propor um outro tipo de reflexão. Pare e responda às seguintes perguntas: você está no mercado para ganhar palmas ou ganhar dinheiro? Para fazer gol de placa ou ganhar o campeonato?

Como bem afirma Maurício Hissa, o Bastter, “beba o leite e esquece a vaca!!!”. Se o mercado está dando 0,5, ou no máximo 1,0 ponto, pegue. A estratégia pode até não ser agradável, mas no fim, o dinheiro é o mesmo.

Grande Abraço e Atitude Vencedora Sempre!
André Antunes

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