Qual o maior Problema de operar com Indicadores Técnicos?

Tem coisa melhor do que comprar quando a média de 8 cruza a média de 21 de baixo para cima?

É um método simples, fácil de aprender, fácil de seguir, fácil de estudar o passado e ver se funciona! Mas será que é tão simples assim?

Muitas pessoas são atraídas pelo dinheiro que a bolsa pode proporcionar e acabam aprendendo que para operar, elas precisam de uma boa estratégia e executar com disciplina.

E se você está no mercado há mais de 6 meses já deve ter sentido essa dificuldade na pele.

Por mais que você estude os indicadores, por mais que otimize, que  calibre, parece que nada te dá indicação confiável de para onde o mercado vai, não é mesmo?

Nesse artigo nós vamos falar sobre:

– O que são Indicadores Técnicos e como são formados

– Qual a Origem do Problema sobre os Indicadores

– Quais são as reais causas dos movimentos? (Por que os preços sobem/caem)

– Que tipo de Informação você deve se balizar

Portanto, se você quiser entender porque os indicadores não são a melhor fonte de informação (e qual é a melhor fonte de informação) eu sugiro que leia até o final!

 

O que são Indicadores Técnicos e como são formados?

Você já parou para pensar como são formadas as médias móveis, o IFR, o MACD, o Hilo?

Todos esses indicadores mencionados são derivados do preço.

Por exemplo, para nós conseguirmos fazer uma média móvel de 8 períodos, nós vamos precisar de 8 informações.

Podem ser 8 preços de fechamento (se for uma média no gráfico diário) ou podem ser 8 fechamentos de barras de 5 minutos se tivermos olhando uma média nessa periocidade.

Independentemente da periodicidade, nós precisamos de 8 informações passadas para conseguir calcula um ponto da média no momento atual (se a calibragem for 8, por exemplo).

O mesmo vale para todos os demais indicadores. Todos sem exceção necessitam de preços “passados” para gerar uma informação.

Ta André, mas o que tem de errado nisso?

 

Causalidade – A Origem do Problema sobre os Indicadores

 

Existe um conceito em economia e que se aprende logo nas primeiras aulas (calma que você não precisa ser economista para operar bem).

Uma ótima analogia para esse conceito é o seguinte exemplo:

Imagine que você trabalhe numa grande empresa que vende sorvetes e precisa estimar as vendas futuras de sorvete para adequar sua produção.

Qual é a informação mais fácil para você analisar?

Provavelmente a informação mais fácil é olhar quantos sorvetes foram vendidos por dia durante um determinado período, concorda?

Mas que tipo de informação você pode olhar? Será que a quantidade de sorvetes vendidos ontem (ou no mês passado) tem poder de indicar quantos sorvetes serão vendidos hoje (ou durante esse mês)?

O que esse exemplo simples nos ensina é sermos forçados a pensar na real causa que influencia na venda de sorvetes!

Na época de férias, é de se esperar que as vendas sejam maiores do que as vendas fora de temporada, e o mesmo ocorre nos finais de semana.

Mas nesse caso, (desde que o predo do sorvete seja o mesmo) o que realmente determina as vendas de sorvetes (ou exerce influência de causalidade) é a temperatura!

Quanto maior a temperatura, maior é a demanda por sorvetes e o aposto também é verdadeiro.

Se você olhasse que ontem foram vendidos 2.000 sorvetes numa determinada praia e hoje foram vendidos 2.500, o que você esperaria de vendas para amanhã?

Concorda que não dá para saber sem levar em conta a temperatura prevista para amanhã?

Se a temperatura de amanhã for menor que dos dias anteriores, as vendas de sorvete serão menores e se o calor surpreender as vendas provavelmente aumentarão.

Ta André, mas o que a média móvel do Dólar (ou em qualquer ativo) tem haver com isso?

Quando alguém assume que é para comprar quando uma média cruza a outra, essa pessoa está assumindo que as médias exercem influência no preço, ou seja, exercem causalidade sobre o preço.

Enquanto na verdade, a média nada mais é do que vários preços passados, divididos pelo tamanho da amostragem, ou seja, a média é composta do passado dos preços e, portanto, é um Indicador Atrasado.

Você precisa de um movimento prévio de alta que alimente as médias, para só depois ter uma indicação de compra!

Obviamente que algumas vezes o cruzamento de médias dá sinais lucrativos, mas a alta (ou baixa) posterior do mercado não é gerada porque as médias cruzaram.

As médias cruzaram porque o preço subiu! Percebe como é uma relação inversa?

É por isso que não adianta calibrar, trocar de indicador, combinar indicadores para um filtrar o outro…

Quando você opera somente por indicadores técnicos, você está criando expectativas em cima de variáveis que não antecipam o futuro!

E na verdade a culpa não é sua. Toda informação disponível na internet nos força a pensar que as únicas fontes de informações (para nós pessoas físicas) são os gráficos e indicadores

E o problema é que com o tempo você naturalmente é levado a acreditar que essas variáveis são os causadores dos movimentos.

No exemplo do sorvete é muito fácil de chegar à conclusão que a temperatura é a variável que tem mais poder de causalidade sobre as vendas, mas e no mercado?

 

O que realmente causa das oscilações de preço?

 

participação-investidores

 

Como você pode observar no quadro acima, os maiores participantes no mercado de ações no mês passado foram os Fundos de Investimento e os Estrangeiros.

E o fato é que esses participantes tomam suas decisões de compra e venda baseados nos fundamentos das empresas recorrendo, a modelos que ajudam na precificação.

Vamos fazer uma analogia entre os modelos usados para precificar ações e o método usado para precificar estacionamentos, padarias, mercados, lotéricas, postos de gasolina, etc…

Você sabia que estacionamentos são negociados por quanto eles “rendem” mensalmente? A maior parte das avaliações desse tipo de negócio é feita multiplicando o lucro mensal (ou faturamento) por uma quantidade de meses.

Por exemplo, se um estacionamento gera lucro mensal de R$ 15.000,00 a negociação deve variar entre 25 e 40 vezes esse lucro, dependendo de diversas condições como localização, duração do contrato de locação…

Digamos que você compre um estacionamento a 30 vezes lucro líquido, ou seja, investiu R$ 450.000,00.

Agora digamos que você deu sorte (para simplificar) e o estacionamento passou a gerar R$ 17.000,00 por mês. Concorda comigo que se você fosse vender hoje, você iria pedir 30 vezes R$ 17.000,00, ou seja, R$ 510.000,00?

Da mesma forma, se o proprietário aumentar o aluguel da propriedade, o que reduziria seu lucro para R$ 13.000,00, seu estacionamento valeria R$ 390.000,00.

Toda precificação depende do futuro e não do passado!

Nas ações não é diferente, mas ao invés de lucro, os participantes projetam o caixa futuro da empresa (receita, custos, investimento, amortizações, etc) e trazem esse fluxo para o valor presente.

Portanto, as ações sobem quando o mercado começa acreditar que o fluxo de caixa delas no futuro será maior, crescente ou simplesmente quando o fluxo de caixa futuro superar as expectativas previstas até o momento.

As expectativas futuras são a real causa!

 

Que tipo de Informação você deve se balizar

Infelizmente, nós pessoas físicas não temos capacidade de competir com esses Institucionais em termos de projeção das Premissas do Modelo, até porque eles possuem vasta área de análise e muitas vezes são cercados de pessoas com muitos contatos.

Felizmente, existe uma solução. Ela não é perfeita, mas é a única forma de adicionar causalidade na sua estratégia operacional.

Nós não conseguiremos saber por que esses grandes participantes (fundos ou estrangeiros) estão comprando (vendendo), mas nós podemos saber quando e quanto estão comprando (ou vendendo).

Pelo fato de os players Institucionais possuírem grandes quantidades de recursos, eles deixam rastros durante a montagem da posição e esses rastros são diretamente ligados à forma com que esses participantes executam suas grandes ordens.

 

petr-acumulado

 

No gráfico acima temos uma ilustração de PETR4 e o Indicador em vermelho, que é um dos rastros deixados pelas grandes ordens.

Esse indicador é chamado Acumulado da Agressão e é um dos únicos que possuem causalidade com preço.

Agressão é o ato de não esperar para comprar (ou para vender), ou seja, alguém agride quando envia uma ordem a mercado aceitando pagar (vender) o preço que o vendedor (comprador) está pedindo.

Quanto maior o montante agredido, maior é o sinal de que há urgência em executar e consequentemente maior tende a ser o lote que o player ainda tem que executar e é justamente esse o rastro deixado pelas grandes participantes.

CONCLUSÃO

Indicadores da Análise técnica são derivados de preço passado e, portanto, não exercem uma relação de causa e efeito com o preço no futuro.

A real causa das oscilações de preço depende da expectativa dos grandes participantes do mercado quanto ao futuro do fluxo de caixa das empresas. Ou seja, o que influi no preço hoje é uma expectativa do que irá ocorrer para frente!

Infelizmente nós não temos acesso a esses dados e nem a essas projeções e, portanto não temos como competir com eles por informação.

Mas nós temos como analisar o rastro que eles deixam ao executar suas grandes ordens e enxergar sinais através da análise de fluxo de ordens.

 

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Te espero lá. Grande abraço e Atitude Vencedora!
André Antunes