CONTRATO EM ABERTO

Contrato em aberto ou open interest (termo em inglês) reflete a quantidade de contratos de futuros, e/ou opções que foram negociadas, mas ainda não foram cobertas (zeradas) ou liquidadas no vencimento. Em resumo, é toda posição comprada ou vendida que ainda não foi zerada.

Das várias diferenças entre os mercados à vista e de derivativos, a questão dos contratos em aberto é uma das mais marcantes.

No mercado de ações, mesmo que não haja negociação, sempre tem alguém comprado, ou seja, existe um número já conhecido de ações em circulação (free float) e, mesmo que não haja troca de mãos, sempre existe alguém apostado.

Para exemplificar, imagine uma ação no primeiro dia de negociação, no IPO (sigla em inglês para initial public offering, que significa abertura de capital de uma empresa), com preço do book building a R$ 20,00 e distribuição de investidores listada abaixo:

A – 10.000 ações

B – 10.000 ações

C – 20.000 ações

D – 10.000 ações

 

Suponhamos que a abertura do mercado tenha sido a R$ 20,00, com o próprio investidor A comprando 10.000 ações do B; e que agora o A tenha 20.000 ações a R$ 20,00 e o B não possua mais nada. Até o momento ninguém foi afetado financeiramente.

Então supomos que o próximo negócio saia a R$ 21,00, com o investidor A comprando 10.000 ações de C. O investidor A está com lucro potencial de 20.000 ações vezes R$ 1,00, porque ele comprou 20.000 ações a R$ 20,00 e está R$ 21,00 no mercado; e no último lote de 10.000 comprado a R$ 21,00 não há ganho/perda potencial até aquele momento.

Já o investidor B não necessariamente perdeu dinheiro, ele apenas deixou de ganhar o R$ 1,00 por ter vendido os 10.000 lotes logo na abertura. O investidor C ganhou até aquele momento 10.000 vezes R$ 1,00 porque sua compra foi a R$ 20,00. Note que, enquanto os negócios saírem entre players que já possuem a ação, não necessariamente haverá ganho em detrimento da perda de outro participante.

Entretanto, quando um investidor M aparece no jogo sem possuir as ações, aí sim o ganho de um pode ser a perda do outro.

Imagine que o M venda, por meio de aluguel de ações, 10.000 a R$ 21,00 para o A, e que o preço suba para R$ 22,00. Agora o A está comprado em 40.000 e está com ganho potencial até aquele instante. O B está sem posição no mercado e o C também está com ganho potencial nas suas 10.000 ações remanescentes. Já o M, que não possuía as ações, está tendo uma perda potencial de 10.000 ações vezes R$ 1,00.

Já nos mercados de derivativos, os “contratos em aberto” não nascem de um IPO. Na verdade, eles são zero até que comecem a negociá-los. Esse “nascimento” depende necessariamente de um comprador e de um vendedor fecharem negócio.

Olhe o exemplo abaixo:

contrato-em-aberto

No primeiro dia o player A compra 1 contrato do player B, gerando um contrato em aberto (CA) e uma unidade de volume. No segundo dia surgem novos players, e C compra 5 contratos do player D aumentando os CA para 6, pois amentaram a exposição.

No terceiro dia, o player A que estava comprado em 1 contrato, vende 1 lote e zera sua exposição, já quem comprou 1 lote foi o player D que estava vendido em 5 contratos. Note que ambos reduziram exposição e por isso houve decréscimo de CA.

No quarto dia o player E, que não tinha posição, compra 5 contratos, mas a contraparte foi o player C que, justamente, estava comprado em 5 contratos. Quando o player C zera sua exposição, os contratos em aberto não mudam.

Observe que os contratos em aberto diferem do volume.

Diferentemente do mercado de ações, nos derivativos, em qualquer movimentação no preço posterior ao primeiro negócio, tem de existir um ganhador potencial e um perdedor potencial.

Potencial porque a posição é marcada a mercado e, se fossem zerar naquele instante, o lucro/perda seria exatamente o montante da marcação a mercado. Entendendo por zerar, realizar a operação contrária à posição inicial, que pode ser comprada ou vendida, na mesma magnitude de lotes.

Para os demais negócios efetuados, desde que possuam contratos em aberto (ou seja, alguém apostando em alguma direção com sua respectiva contraparte), qualquer movimentação de preço para cima ou para baixo também gera ganho e perda potencial de dinheiro. Isso torna os movimentos nos mercados de derivativos auto alimentáveis, uma vez que a própria dinâmica favorece stops de players que estão perdendo dinheiro.

Vale complementar que o número de contratos em aberto é ilimitado, e que só depende dos participantes determinarem o nível de apostas que serão feitas no mercado. Quanto maior o número de contratos em aberto em um determinado ativo, maior o nível das apostas entre os players e, portanto, maiores os ganhos e perdas potenciais.

E como usar os contratos em aberto?

Bom, a primeira coisa que você precisa saber é que os contratos em aberto são atualizados na base diária, e não no intraday.

– Quando os preços sobem com aumento de contratos em aberto, temos uma indicação altista.

– Quando os preços sobem com decréscimo de contratos em aberto, temos indicação de fraqueza de alta ou possível sinalização baixista.

– Quando os preços caem com aumento de contratos em aberto, temos uma indicação baixista.

– Quando os preços caem com decréscimo de contratos em aberto, temos indicação de fraqueza de baixa ou possível sinalização altista.

– Após um movimento de alta, se há aumento de contratos em aberto com os preços estáveis, podemos ter uma indicação de queda, uma vez que a compra parece ter achado contraparte.  O mesmo ocorre na venda.

Em um mercado lateral ou acumulando num canal, um aumento de CA pode criar uma energia potencial tremenda que poderá impulsionar ainda mais os preços quando eles finalmente começarem a andar.

Nós, day traders, utilizamos a leitura de contratos em aberto como indicadores de sentimento e nunca como fatores determinantes para realização de operações. Aumentos e decréscimos nos contratos em aberto nos geram viés (pré-disposição), mas os gatilhos para entrada nas operações dependem de outras variáveis.

 

 

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