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Hoje eu vou tratar de um tema que aflige muitos traders iniciantes e que certamente é a razão pela qual eles acabam desistindo do processo: a pressão familiar sobre os resultados do trading.

Não é algo fácil de lidar. Normalmente, os piores dias são os que sofremos pressão dobrada. Isto é, além de encerrarmos o dia negativo (e quando digo negativo, é negativo mesmo, perdendo dinheiro de uma semana, um mês), chegamos em casa e somos confrontados com a preocupação e a opinião de nossos familiares.

Esse assunto é um dos que mais costumam me questionar, até porque minha formação acadêmica não é relacionada ao mercado e mesmo assim, eu consegui dar certo nesse desafio de atingir a consistência como um trader autônomo.

Por esta razão, vou dividir o artigo em duas partes: na primeira, tratarei da minha história e os obstáculos que tive que superar. Na segunda, irei propor uma atitude que amenize esse impacto e que te dê tranquilidade para continuar persistindo até alcançar este nobre objetivo.

Como tudo começou

O meu primeiro contato com o mercado foi por meio dos bastidores. Eu era gerente de TI de uma corretora focada no atendimento de traders autônomos, muitos deles recém-saídos do pregão viva voz, que agora havia migrado totalmente para a modalidade eletrônica. A missão que recebi ao aceitar esse cargo na corretora era a de proporcionar aos clientes que lá operavam estabilidade e agilidade na execução de suas ordens, de modo que fôssemos reconhecidos como “o clique mais rápido do mercado”.

Modéstia parte, apesar dos desafios e sacrifícios inerentes a toda a montagem e infraestrutura que o projeto exigia, eu consegui atingir o objetivo. A corretora conseguiu fazer nome no mercado, sendo reconhecida como o maior celeiro de traders autônomos do Brasil. Em contrapartida, era bem remunerado por isso. Meu salário era significativo para época e eu estava para ganhar o prêmio de um dos melhores profissionais de TI em atuação aqui no Brasil.

Mas o destino resolveu mudar o roteiro da minha vida. Em um movimento de reestruturação comercial na corretora, acabei sendo dispensado. O projeto que comecei do zero, que estava funcionando a pleno vapor, seria agora levado adiante por um outro profissional, mais jovem e mais barato que eu.

Só que algo havia mudado em mim. Como era responsável pela estabilidade da sala operacional, eu tinha acesso e cuidava de toda a estrutura em TI necessária para que os traders que lá operavam pudessem realizar suas operações com tranquilidade. Ou seja, eu tinha acesso ao financeiro que esses profissionais faziam quase que diariamente. E muitos deles faziam em dois ou três dias o dinheiro que eu ganhava em um mês. Além disso, em um período muito mais curto que o meu dia inteiro de trabalho (às vezes em pouco mais de 40 minutos).

Quando parei para pensar no que esses caras tinham e no que eu vivia até então (pra você ter uma ideia, foram várias as vezes que virava a noite trabalhando para garantir o sucesso na implantação dos novos sistemas na corretora), decidi usar a indenização trabalhista que receberia e me tornar um trader autônomo.

Só que a falta de conhecimento de mercado não seria o único obstáculo. No meio do caminho, minha esposa apresentou um problema de saúde e eu, agora sem estar segurado, usei grande parte do valor que recebi para que ela pudesse ter um atendimento digno e superar essa adversidade. Mas isso praticamente me deixou com dinheiro apenas para operar e eu tive que contrair empréstimos para quitar as contas comuns a qualquer família.

E só para você ter uma ideia, para estar ali na corretora, o custo mensal era de R$ 12.000,00 (isso mesmo, doze mil reais só para sentar em uma mesa).

Isso tudo me fez desistir? Não, eu sabia que ali estava a passagem de mudança efetiva na minha vida e na da minha família. Ao invés de sucumbir ao desafio, eu decidi superá-lo.

A primeira coisa que fiz foi me aproximar dos traders que mais ganhavam dinheiro na corretora. Procurei observar quais informações eles tinham na tela, o que eles observam e quais os fatos que mais chamavam sua atenção. Foi aí que acabei optando pela análise de fluxo de ordens (Tape Reading), que era a técnica que eles utilizavam.

Além disso, eu tinha o plano de desenvolvimento que eu iria empregar muito definido: no primeiro mês, eu iria clicar (“fritar” o dedo como costumo dizer) das 09:00 às 18:00. A partir do segundo, eu iria entender o jogo, isto é, quem são os participantes que atuam junto comigo, como eles operam, o que costumam fazer, em quem vale a pena ficar de olho etc. E, na medida em que fosse ganhando dinheiro, eu aumentaria meu lote.

Depois de encerrado esse período, eu voltava para casa, curtia minha esposa e minha filha até umas 22:00 / 23:00, quando elas se recolhiam. Com elas descansando, eu ligava minha máquina, revia a gravação de tela do meu operacional no dia e anotava os pontos que precisava melhorar para o dia seguinte. Resultado: eu ia para cama sempre após 01:00 da madrugada.

Foi difícil? Foi. Tive vontade desistir? Sim. Tive propostas para voltar ao ramo de TI? Sim. Mas todo esforço foi recompensado: meu clique passou a ser o mais rápido da corretora e em 6 (meses) eu já estava operando o contrato cheio do dólar.

E só cheguei neste ponto porque, ao invés de ficar preso ao tamanho do problema, eu foquei em encontrar uma solução para as dificuldades que enfrentava. Essa atitude é que foi a responsável por eu chegar aonde cheguei.

Diminuindo a pressão por resultados

Legal André, mas você não disse o que fez para sua família não te cobrar resultados durante esse processo. 

É, eu não disse, mas eu contei como era minha vida e o que eu consegui oferecer a eles logo que decidi mudar de profissão. Se antes era comum passar noites em claro trabalhando e longe de casa, agora eu estava toda noite junto da minha esposa e da minha filha.

E o principal: enquanto eu estivesse em casa e com elas acordadas, eu não falava de mercado. Meu foco ali eram meus papéis de marido e de pai.

Esta é a sacada para você reduzir a pressão familiar durante a fase de aprendizado: fale o menos possível de mercado, principalmente a respeito dos resultados que você está obtendo. A mente humana não foi feita para trabalhar com perdas. Principalmente aqui no Brasil, nós fomos criados em uma cultura em que o mais seguro e o mais garantido sempre foram considerados o melhor caminho. Trocar essa realidade pela do mercado (onde o que vigora é a aleatoriedade de resultados) é uma mudança muito grande. Não queira que seus familiares tenham esse entendimento logo de cara.

Por isso, fale o mínimo possível, não entre em detalhes operacionais ou de resultados, porque será natural da parte deles responder de acordo com pensamento comum (exceto é claro se o seu ambiente familiar já está inserido no empreendedorismo). Procure direcionar a atenção deles inteiramente para você, ou seja, na mudança de hábitos e bem-estar que o mercado está te proporcionando. Por exemplo: se o mercado exige disciplina, por que não começar a praticar esportes regularmente como uma forma de facilitar esse processo de construção? Ressalte também como é bom ter mais tempo disponível para eles, o que só é possível por você estar atuando no mercado.

É esse tipo de comportamento que te ajudará a reduzir a pressão e fazer das pessoas de sua família importantes aliados na busca pela concretização do seu sonho.

Espero que tenha curtido a sacada de hoje.

Grande Abraço e Atitude Vencedora Sempre!
André Antunes

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