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Ainda no meu início como trader autônomo, eu me recordo de estar indo bem, conseguindo bater minhas metas de ganho e respeitando os stops diários. Lembro-me de estar fazendo tudo certo, entrando quando tinha que entrar, stopando quando tinha que stopar, até que em certo dia, o mercado de dólar mudou e passou a se movimentar de uma maneira totalmente atípica.

Era o estouro da última crise Europeia e a mudança na volatilidade acabou me trazendo dificuldades que eu não esperava. E certamente a mais dolorida foi ter de aceitar um stop maior do que o inicialmente planejado. Mas não foi uma dor simples de assimilar.

Vou descrever uma situação hipotética para que você entenda a minha dificuldade na época. O mercado estava ali oscilando próximo do 50,0. Houve um deslocamento de preço no vazio (com poucas agressões) que levou o preço ao 51,5, 52,0, até que boletaram um lote grande na venda. Naquela circunstância, esse cenário condicional configurava uma oportunidade de atuar na venda e assim o fiz. Contudo, o mercado não desenvolveu como eu esperava, a queda não se acentuou (não entrou parceiro junto comigo) e logo veio uma boletada de compra que levou o preço ao 54,0.

Se o mercado fosse para o 54,0 de forma cadenciada, certamente teria stopado no 52,5 ou, no máximo, no 53,0. Mas como o deslocamento foi muito rápido, eu literalmente travei procurando entender o que havia acontecido. E a partir daí foi um show de horrores: do 54,0, o preço foi para o 56,0, para o 58,0 e eu ali assistindo. Quando dei por mim, já estava no 70,0.

Eu não fazia ideia de como estava minha fisionomia, até que um colega bateu no meu ombro e disse: “André, que cara é essa? O que está acontecendo?”. Eu nem tinha noção do que estava fazendo, quando ele me alertou que eu batia na mesa com raiva, desesperado com o que via na tela. E esse desespero nem era por conta do prejuízo, já que ainda estava operando com 1 (um) lote do mini. O desespero era mais frustração pela dificuldade do aprendizado, aquele sentimento de que “putz, eu não sirvo pra isso, eu não vou dar certo”.

Voltando ao diálogo com meu colega, eu respondi que estava vendido em uma operação. Quando ele olhou e viu que a venda havia sido no 52,0, essas foram suas palavras: “Você está louco, moleque? Zera agora, zera essa merda aí agora!!!”. Como não tinha outra opção, foi o que fiz.

Enrolado sim, passivo nunca

Depois que zerei a operação, levantei, fui ao banheiro, lavei o rosto, dei uma respirada e saí para o almoço com esse mesmo colega. Com a mente mais tranquila, ele me deu um dos melhores conselhos que já tive até então. Lembro até hoje das suas palavras: “eu também me enrolei nessa alta, não esperava que o mercado desse a virada que deu. Mas uma coisa é estar enrolado, outra é estar passivo. André, guarde isso com você: enrolado sim, passivo nunca!! Deixe sua mente livre para enxergar o mercado”.

Naquele primeiro instante não consegui compreender a profundidade daquelas palavras. Porém, conforme fui evoluindo minha leitura de mercado, mais valor fui dando ao conselho que esse colega me deu.

Existem vários motivos pelos quais casamos com um nível de preço. Muitas vezes é por excesso de análise, quando, na ânsia de acertar o trade, analisamos todas as variáveis possíveis, acreditamos que é para vender a 52,0, você vende e o mercado simplesmente não segura e corre rápido contra a nossa posição. Em outras é a situação pela qual passei: você tem motivador para vender, você vende, mas vem uma boletada totalmente atípica e imprevisível que leva o preço a um patamar superior ao que você planejava stopar e você simplesmente trava, porque é da natureza humana tentar primeiramente entender o que houve, para aí sim tomar uma atitude.

Ocorre que no trading há dinheiro envolvido. Mais prejudicial do que uma atitude precipitada é a falta de uma atitude. Ficar passivo no mercado leva você a assumir uma postura de torcedor, onde a emoção se sobrepõe perante a razão, você passa a tomar decisões cada vez mais incompatíveis com a realidade mostrada na tela e que comprometem ainda mais sua saúde mental e o capital financeiro disponível.

O que esse amigo me explicou é que ele até aceita estar errado na operação, ele até aceita desenvolver uma lógica operacional, fazer uma operação e dar errado em mais de uma oportunidade. O que ele não aceita é ficar passivo, assistindo o mercado vir contra a sua posição e rezar, pedir para Deus para que volte.

No trading, é mais importante stopar a posição e depois entender o que houve, do que consertar um trade que já nasceu errado. 

Contextualizando o fluxo de ordens e a magnitude da agressão

E ainda que você tenha motivador para entrar na operação, você não deixa de estar sujeito ao princípio da imprevisibilidade.

Quando parei para pensar nas palavras do meu amigo alguns dias depois da nossa conversa, comecei a notar que estava colocando um excesso de expectativa na minha lógica operacional. Como eu vinha de uma série de dias positivos, eu ingenuamente acreditei que havia encontrado um operacional infalível, desprezando a força do fluxo de ordens.

A verdade é que a incerteza é a regra no mercado. Sofrer esse revés me fez aceitar definitivamente que tudo pode acontecer, caso o coletivo do mercado mude de opinião. Foi a partir daí que deixei de me prender a um nível de preço específico ou a um setup, para analisar o apetite do mercado, a magnitude do fluxo de ordens, a como e de que forma os participantes agridem a contraparte.

Quando você se liberta das amarras de um operacional mecânico e se entrega ao fluxo de ordens, você passa a relativizar o quão atípica é a atuação de uma parte ao consumir a liquidez da outra e isso se transforma em um importante instrumento de reflexão para saber se estamos certos ou errados em uma operação. Por exemplo: eu estou vendido a 52,0. Mas de repente entra um fluxo atípico que consome rapidamente a liquidez no 52,0, 52,5, 53,0 e 53,5 (uma boletada). Automaticamente eu penso “opa, compraram e compraram muito. É um fluxo de compra atípico, não vale a pena segurar esse trade” e stopo a operação.

Portanto, render-me ao poder do fluxo de ordens e sentir os prejuízos de estar casado com uma operação foi o que me fez deixar de ficar passivo no trade.

Nesse sentido, o insight de hoje é: jamais case com uma posição ou um preço. Além de colocá-lo em uma postura passiva, em que você deixa de estar com a mente livre para aproveitar novas oportunidades que o mercado oferece, esse tipo de comportamento pode comprometer 100% do seu capital e tirá-lo do mercado. 

Tenha em mente que o que torna possível viver de trading é a imprevisibilidade. É ela que leva grandes players a atuarem de forma atípica e impactarem o preço. Porém, da mesma forma que a imprevisibilidade nos ajuda a fazer dinheiro, ela também nos leva a grandes perdas se insistirmos em uma posição errada. Logo, é de fundamental importância saber ganhar e saber perder. 

Grande Abraço e Atitude Vencedora Sempre!
André Antunes

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