Google Tem boi na linha do mercado

Tem boi na linha do mercado

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Imaginemos, caro amigo trader leitor, um cachorro atravessando a rua. Se observarmos a cena atentamente, veremos que ele só percebe a aproximação de um carro quando o veículo está praticamente em cima. Se for uma bucólica rua residencial, provavelmente o motorista terá tempo de buzinar e frear antes do atropelamento. Mas se for uma auto-estrada o desfecho será trágico. O pobre cão não terá a menor chance.

Se um cachorro lida mal com futuros, mesmo os de curtíssimo prazo, um boi lida pior ainda. Ele é capaz de pastar sobre uma linha férrea, comendo o capim que nasce entre os dormentes, sem perceber que uma velha maria-fumaça se aproxima ruidosa e velozmente, mesmo que o maquinista apite a plenas caldeiras. Em sua obtusidade (que inimaginosamente poderíamos descrever como “bovina”), o pobre animal não moverá um músculo antes da locomotiva despedaçá-lo.

Já um gavião é capaz de calcular com precisão seu percurso no ar de modo a fazê-lo cruzar-se com a trajetória, também no ar, de sua presa. Se fizéssemos um ranking das habilidades como operador de futuros das diversas espécies animais, o gavião estaria no topo e o boi, sem trocadilhos, na rabeira. Isso mesmo. O gavião é um trader. O boi, não mais do que uma besta. Sem nenhuma semelhança com os touros de mercado, é claro.

Quanto a nós, humanos, mesmo sem nos darmos conta disso, somos todos analistas e operadores de futuros, o tempo todo, até mesmo nas menores coisas.

Um pescador, por exemplo, que perscruta o céu carregado na linha do horizonte e, por causa disso, deixa de sair no mar calmo, é porque sabe que, quando aquelas nuvens chegarem, o mar sofrerá enorme transformação. Mesmo na placidez da calmaria, o pescador já opera na borrasca. Opera em pleno mau tempo do quinto ato do Rigoletto — como costumava dizer o imortal Nelson Rodrigues, embora a ópera Rigoletto tenha apenas três atos, detalhe esse que, se jamais incomodou o dramaturgo, pouco incomoda a mim aqui.

Mas, descendo do nível dos gênios para o dos simples mortais, operador de futuros é o chefe de estado visitante que faz questão de receber o líder da oposição. Ao fazer isso, ele está pensando: “Quando a política mudar, e esse cara for presidente da República, e eu voltar aqui, ele se lembrará de que o procurei na baixa.”

Se assistirmos a um filme esmaecido e em preto-e-branco da Copa do Mundo de 1938, veremos que, naquela época, os jogadores só davam passes na direção dos companheiros. Futuro mais do que simples: “A bola vai sair dos meus pés e irá se aninhar nos pés dele, parado, ali, esperando.” O raciocínio tático-futebolístico então prevalecente não era muito mais evoluído do que o de um cachorro atravessando a rua, embora já bem avançado em relação ao de um boi pastando no meio da ferrovia.

Quarenta anos depois, na Copa do Mundo de 1978, o técnico Cláudio Coutinho insistiu com os jogadores da seleção brasileira para que lançassem a bola em direção a um ponto futuro. Ou seja, não mais para o lugar onde o companheiro está, mas para o local onde ele estará alguns segundos depois, desconcertando os zagueiros adversários.

Passando para  nossa área de atuação, embora todos os traders (mesmo os que negociam à vista) operem a futuro, o timing de cada um deles é diferente. Um scalper, day-trader, ao comprar ou vender a descoberto determinado ativo, preocupa-se com o preço desse ativo na próxima meia ou uma hora. É o que lhe basta para não ser colhido pela tragédia como o cachorro ou o boi da linha. Não interessa a esse trader imediatista a política do FED, muito menos o resultado das eleições americanas. Ele se limita a avaliar, no momento da compra ou venda, quem está com mais gás: o touro ou o urso. Ou então se o mercado está fazendo uma figura de cabeça e ombros invertidos ou um duplo topo no gráfico intraday.

Já um investidor de longo prazo, ao avaliar os ativos, ou o potencial de negócios, de um país, seja este estável, emergente ou decadente, já está vivendo no próximo cenário macroeconômico, no próximo governo, no fundamento escondido na coxia do cenário que ainda vai ser montado.

Nas bolsas de valores, de commodities, nas bolsas de futuros e derivativos em geral, se operarmos como o boi, esperando acontecer para interpretar, seremos irremediavelmente atropelados pela maria-fumaça dos fatos. Se negociarmos como o cachorro, esperando os sinais óbvios antes de agir, nos limitaremos a uma pequena sobrevida à do boi. Porque, no atual estágio do mercado, com suas supervias e plataformas de altíssima velocidade, o trader precisa raciocinar como o gavião, para que seu call ou put intercepte e sobrepuje o preço do ativo lá na frente. Precisa jogar para o ponto futuro do Cláudio Coutinho.

Um bom trader de futuros é aquele que consegue ler hoje os relatórios que serão publicados no ano seguinte, que colhe a safra que ainda será plantada, que compra o lucro da empresa deficitária, que vende a carne do boi que ainda não nasceu e ainda não foi esmagado pelo trem.

Por Ivan Sant’Anna

Comentário Scalper Trader:

“Nada melhor do que acompanhar a briga entre comprados e vendidos para ver quem ganha. Nós, day traders, temos que conhecer o ativo que operamos e por qual ‘ trilho’ ele caminha, assim podemos acompanhar cada momento para não sermos pegos de surpresa caso passe a locomotiva. Temos que saber o horário, a velocidade, quanto pesa, quantos metros tem e quem está pilotando esta locomotiva. Pensar na frente é o grande diferencial do trader.”

 

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