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O preço perfeito do mercado

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Em 1966, quando eu tinha 25 anos, fui estudar Mercado de Capitais na New York University. Até hoje, decorridos 37 anos, lembro-me do tema de minha primeira aula: preço. Sim. Preço. Disse o professor que tudo, mas tudo mesmo, inclusive lixo, tem preço. E que esse preço, desde que resultante das forças de mercado, é sempre justo. Nunca me esqueci da lição.

Muito se fala sobre o preço dos ativos. É comum alguém que não consegue vender um imóvel, dizer, sem se conscientizar da asneira: “Imagina, minha fazenda vale tanto. Tem não sei quantas vacas e bezerros, fora uma série de benfeitorias. Mas os compradores querem pagar muito menos. Um verdadeiro absurdo. Por isso ainda não vendi”. O dono do imóvel não percebe que, se não consegue vender, seu preço definitivamente não é “o preço”.

Uma das obras teatrais mais importantes produzidas no século XX foi “O Preço”, do celebrado autor norte-americano Arthur Miller (detentor, entre outros prêmios, do Pulitzer de 1949). Nessa peça, montada no Brasil nos anos de 1960 e de 1980 —— em ambas as vezes com interpretações antológicas do falecido ator Paulo Gracindo ——, o personagem vivido por Gracindo, um velho judeu de nome Solomon, comprador de móveis usados, discute, com os vendedores, o preço dos diversos itens de um mobiliário. O diálogo da peça é um saboroso tratado sobre as verdades contidas em um preço.~

Como sempre escrevo minha página de Bulls & Bears com grande antecedência, evidentemente não sei qual será a cotação do petróleo no dia em que você, caro trader leitor, estiver lendo esta crônica. Aliás, se eu usufruísse dessa informação, ficaria rico. O que sei, isso com a mais absoluta das certezas, é que, no exato momento em que teclo esta frase, o barril de óleo cru, para entrega no mês futuro mais próximo, está cotado a US$ 37,20 no mercado de Nova York. Portanto, US$ 37,20, é quanto ele vale para esse vencimento.

Se pararmos um instante para pensar, 37,20 é um número mágico. Neste momento, é claro. Mágico porque embute toda a carga de otimismo e de pessimismo dos produtores e consumidores de petróleo espalhados pelo mundo. Mágico porque embute as estimativas dos políticos que discutem a situação, sempre explosiva, do Oriente Médio. Mágico porque embute os planos dos estrategistas militares. Mágico porque embute o medo e a ambição dos especuladores. Mágico porque embute a prudência dos hedgers. Mágico porque embute os segredos dos insiders. Mágico porque se trata de uma obra-prima de lógica matemática, resultado de um consenso notável, pois 37,20 (neste instante, repito) é a mais exata das médias ponderadas, cada trader influindo com nada mais nada menos do que o peso de seu lote. Ou de seu blefe.

A US$ 37,20, há compradores e vendedores. Ninguém vende por menos, ninguém compra por mais. Trinta e sete e vinte é, portanto, um número único, maravilha de simplicidade. Nenhum super-computador poderia tê-lo concebido mais exato. Caso o judeu Solomon tivesse existido, ainda vivesse, e negociasse petróleo, não estaria discutindo o preço. O aceitaria como verdade plena, irrefutável, indelével. Um dogma. Como se tivesse sido extraído de um dos cinco livros do Pentateuco.

Outro dia, enquanto atravessava uma madrugada insone, tive a oportunidade de assistir, num canal internacional de tevê por assinatura, a um debate de jornalistas econômicos, cada um deles dando seu prognóstico sobre qual seria o preço do barril de petróleo logo após a eclosão de uma nova guerra no Oriente Médio, conflito que davam como fato consumado. Todos, sem exceção, previam uma grande alta, como se o mercado futuro não embutisse em seus preços todas as possibilidades. Curiosamente, nenhum dos debatedores se valeu das cotações do mercado para fundamentar seu vaticínio. “Acho que o petróleo vai estar a US$ 37,20”, poderia ter dito um deles, confirmando a verdade nelsonrodrigueana de que só os profetas enxergam o óbvio.

Nós, traders, passamos a vida toda avaliando preços. Isso é a essência da profissão. Se achamos que estão baratos, compramos, tornamo-nos touros. Se acreditamos que estão caros, vendemos, passamos a ser ursos. Aliás, a eficiência nesse processo de avaliação é o fator que separa os traders bem-sucedidos dos que fracassam. Ressalte-se que, como ponto de partida para essas estimativas, é muito importante termos sempre em mente que o preço certo é aquele estampado no monitor do terminal de cotações.

Eu escrevi acima que o preço justo do barril de petróleo, para entrega no mês futuro mais próximo, é de US$ 37,20. Pois não é mais. Enquanto eu redigia esta crônica, o mercado caiu para US$ 36,90. Portanto US$ 37,20 não significam absolutamente nada. E, quem sabe, US$ 36,90 também não significarão nada para você, prezado assinante da Resenha BM&F, no momento em que estiver lendo este texto. Que tal conferir? Dê uma espiada em seu terminal. Veja por quanto touros e ursos negociam o barril. Este número que você está vendo aí, e nenhum outro, é o preço perfeito.

Por Ivan Sant’Anna

Comentário Scalper Trader:

“O preço perfeito do mercado é o que está na sua tela nesse momento! Saber avaliar a formação do preço é uma habilidade indispensável para um Trader ser consistente… ”

 

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