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BMF – Vinte anos esta manhã

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Quando a BMF foi inaugurada, no dia 31 de janeiro de 1986, eu já tinha 45 anos de idade e, acreditem, 28 de mercado. Nessa ocasião, eu operava futuros na Bolsa de Mercadorias de São Paulo (Bolsinha) e nos mercados de Nova York e Chicago. Por isso acompanhei o nascimento da instituição, cujos 20 anos comemoramos, desde o primeiro berro no pregão. O floor trader gritou, de lá, uma oferta no mercado de ouro, e eu o ouvi em minha trading desk.

Nessas duas décadas, as vitórias se sucederam. Um milhão de contratos negociados (1986), 20 milhões (1989), 50 milhões (1990), 100 milhões (1992), 200 milhões (1994) e 500 milhões (1996). No dia 24 de outubro de 2001, a BM&F atingiu a marca de 1 bilhão de contratos negociados, firmando São Paulo como um dos centros financeiros mais importantes do mundo.

Aquele primeiro berro fora o vagido do recém-nascido. Agora, passados 20 anos, tornou-se o vozeirão de um dos maiores do mundo em seu ofício de pregoeiro. Com os cabelos grisalhos, o bebê de 1986 agora negocia, além de ouro, Índice Ibovespa, taxa de juro, café, moedas, DI, swaps, etc. O resultado de seus berros sai na primeira página do site da Bloomberg, no The New York Times, no Wall Street Journal, na Economist, sai no noticiário da BBC e da CNN. Sai todo dia no Jornal Nacional, o dia todo na Globo News. A arena paulista está entre as dez maiores do mundo, seja em importância, seja em número de combates entre touros e ursos.

Ao contrário do que os dados acima parecem indicar, essa ascensão não foi um passeio de um puro-sangue, favorito dos favoritos, na grama seca de um hipódromo, numa tarde ensolarada de verão. Foi uma corrida de steeplechase, um cross-country num inóspito deserto da Namíbia, um duelo de pilotos de Fórmula-1 na pista encharcada de Monte Carlo. Pois o que não faltou nesses 20 anos, que hoje comemoramos, foram vascas e obstáculos.

Um mês após a inauguração da Bolsa, veio o primeiro tranco: Plano Cruzado. Tabelaram os futuros, puseram bridão nos mercados. Com a aplicação da tablita, os futuros longos de ouro ficaram mais baratos do que os curtos, e os curtos mais baratos do que o preço no mercado spot. E, para que a distorção pudesse ser corrigida, tome limite de alta nos “futurões”, dia após dia, semana após semana, os ursos sangrando, os touros preocupados, porque, se os ursos morressem, morreria também o mercado.

No Plano Collor, quatro anos depois, de uma chicotada só, o governo, entre outras coisas, confiscou 80º da poupança interna. A BM&F acusou o golpe, mas suportou-o.

Mas, como se os episódios anteriores não bastassem, as duas maiores provas do steeplechase ainda estavam por vir. Entre julho e outubro de 1997, a crise asiática reduziu drasticamente o fluxo de capitais para os países emergentes. Foi a época dos  chamados ataques especulativos às moedas. Em 1999, a vítima foi o real. A blitzkrieg foi tão forte que obrigou o governo a mudar, no espaço de poucos dias, sua política de âncora cambial, que vigorava havia cinco anos. De repente, só havia touros no pregão. Todos haviam corrido para o mesmo lado da barca, que ameaçava adernar. Ameaçou, mas resistiu.

Às 08h47 da manhã de terça-feira 11 de setembro de 2001, ao ser lançado contra a Torre Norte do World Trade Center, o vôo 11 da American Airlines deu início a um cataclismo nos mercados mundiais. Mas, aí, a BMF já era uma instituição vacinada pelos cenários hostis que atravessara até então.

Se hoje a aniversariante tem uma sólida reputação internacional, isso não aconteceu a despeito dos obstáculos que enfrentou nesses 20 anos. Aconteceu “por causa deles”.

O prestígio da New York Stock Exchange, por exemplo, se deve muito mais ao fato de ter sobrevivido aos crashes de 1929 (que pôs fim ao zeitgeist dos anos 1920) e 1987 (no qual, em apenas um dia, o índice Dow Jones perdeu um terço de seu valor) e aos atentados do 11 de setembro, sem contar centenas de crises menores, do que aos grandes bull markets que protagonizou. Não fosse a tentativa de córner no mercado de prata, à qual a COMEX, de Nova York, foi submetida, na virada da década de 1970 para a de 1980, aquela bolsa de futuros não teria a credibilidade da qual dispõe hoje.

Hemingway escreveu que os homens, tal como as espadas, são forjados na guerra. Com as bolsas e demais instituições financeiras pode-se dizer a mesma coisa. São forjadas nas crises, nas debacles, nos momentos de incerteza. Só aí, são postas à prova.

Se analisarmos a estirpe dos traders brasileiros, veremos que, tal como os heróis de Hemingway, nossos operadores aprenderam em meio às batalhas. E que batalhas. Aqui, como talvez em nenhum lugar no mundo, touros e ursos operaram futuros com inflação de 80% ao mês, negociaram índices, taxas de juro e câmbio em meio a choques (ortodoxos e heterodoxos) congelamentos, maxidesvalorizações, tablitas, etc, etc.

À tenacidade desses profissionais, a BMF deve esses vinte anos de sucesso. E com ela irá contar nos próximos vinte.

Por Ivan Sant’Anna

Comentário Scalper Trader:

“Como o próprio texto nos relembra, crises vão e vem ao longo dos anos, seja por histeria financeira, seja por subprime ou até mesmo por crise política. Passam-se os anos e os operadores de mercado variável estão sempre preparados para as crises, pois elas geram inúmeras oportunidades de ganhar dinheiro. Mais importante do que estar preparado é saber que temos um local de trabalho estável, seguro/ confiável, que tem muitos anos de experiência e muita história pra contar.”

 

Grande abraço e Atitude Vencedora
André Hanna

 

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