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Armadilhas do Trade

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Digamos que você, caro trader leitor, seja um jogador de pôquer. Não um ás das cartas, que sabe de cor as possibilidades de combinações de cada um dos jogos. Muito menos alguém que estuda a fundo as mais imperceptíveis reações dos adversários para descobrir, por um pequeno tique nervoso, como um tremor nas pálpebras, que o “inimigo” à sua frente está blefando. Não. Você não é tão bom assim. Mas também não é um otário, que, de modo asnático, vai em todas as mãos, mesmo com um mísero par de setes.

Você é um jogador mediano. Joga pôquer com os amigos, para se divertir, uma vez por semana. Quando a noite é muito ruim, você perde quinhentos reais. Se as cartas estão ótimas, você ganha isso. Quinhentos pra lá, quinhentos pra cá. Ao longo de um ano, sai no empate. Mas tem plena consciência de que, se relaxar, vai perder sistematicamente. Por isso presta atenção no jogo, só vai na rodada quando sua mão é boa, sabe carregar nas fichas quando está de posse de um bom jogo. Ah!, de vez em quando passa um blefezinho, que ninguém é de ferro.

Pensando melhor, acho que você não é um jogador mediano. É bom. E só não é melhor porque, com razão, acha que pôquer não é uma coisa importante em sua vida. Trata-se apenas de um hobby, que poderia ser sinuca, pingue-pongue, cozinha francesa ou a participação em um grupo de teatro amador.

Imaginemos agora que, numa viagem de férias, você vá, com a mulher e as crianças, para um hotel fazenda. À noite, outros hospedes o convidam para uma roda de pôquer. Você se faz de rogado, reluta um pouco, mas a verdade é que está louco para “chorar” um naipe e manusear uma pilha de fichas, ouvindo-lhes o tilintar ao toque dos dedos.

Já sentado à mesa, você tem duas decepções: as fichas são feijões; o cacife é de 50 reais e o pingo, de 50 centavos. Você só não se levanta e vai embora porque não quer fazer uma desfeita com os pais dos amiguinhos de seus filhos.

É lógico que, na situação acima, você vai jogar mal. Não prestará atenção nas pedidas dos outros, na sua vez pedirá até quatro cartas, quase sempre pagará para ver o jogo do adversário, mesmo quando as evidências estejam a favor dele. Você vai perder, com certeza, três ou quatro caciques, nada que venha a desfalcar seu patrimônio, muito menos arruinar suas férias.

Pensemos agora numa situação oposta. Você deu “aquela” tacada no mercado futuro de taxas de juro, deixou as crianças com a sogra e foi com a cara-metade passar uma temporada em Vail. E, lá, um grupo de traders brasileiros (e, muito aqui entre nós, de uma turma superior à sua) o chama para um “joguinho” de pôquer. “Coisa boba”, diz um deles, “só pra distrair”. Minutos depois, você tem à sua frente uma pilha de fichas de madrepérola no valor de cinco mil dólares, cacife inicial do tal “joguinho”, do qual você só está participando para não dar aos parceiros a impressão de que é frouxo, mão fraca, chinfrim. Mas, como não é trouxa, resolve fugir da maioria das mãos, poltronice da qual logo a mesa se dá conta. E, sem a menor comiseração, passa a blefar a torto e a direito em cima de você.

Como não podia deixa de ser, em Vail você perde também. Porque entrou na turma errada.

As situações acima estão sempre acontecendo na vida de um trader. Operar com um lote muito pequeno, e irrelevante para a carteira, o que abrirá a guarda do profissional, tendo como conseqüência uma erosão desnecessária nos ativos sob sua administração. Ou entrar pesado demais em uma posição, o que o obrigará a ter um stop exageradamente curto ou, pior, que lhe tirará a capacidade de discernimento para avaliar, a cada passo, o movimento do mercado.

A deficiência número 1 (entrar muito leve) costuma acontecer logo após um sucesso. Felizmente, trata-se de um pecado venial. Sem querer arriscar o ganho, o trader, só pra não ficar de fora, faz uma posição pequena, sem muito, ou nenhum, planejamento, quando era melhor ter ido para Vail (ficando longe dos joguinhos perigosos, é claro) ou para o hotel fazenda com as crianças e sentar-se ao inocente e burguês poquerzinho convescote. O tal das cinqüenta pratas.

Já a número 2 (entrar muito pesado) pode ser mortal. Não raro surge após uma perda séria, que tira do trader o equilibro de raciocínio. Movido por um misto de ganância e pânico, ele pensa: “Vou pro baralhão, pro tudo ou nada, vou buscar o que perdi, pois a História não fala dos covardes”, e outras bobagens. Pois, caro leitor, a História fala sim. E fala mal. Um trader ferido torna-se presa fácil e fica na iminência de comprar passagem para a tragédia.

A profissão trader é cheia de armadilhas. Algumas, simples  espinhos, picadas de marimbondo, que doem mas passam. Outras, terríveis minas terrestres, que, quando não matam, aleijam para sempre. Você, amigo trader, tenha isso em mente todas as manhãs, ao entrar na sala de operações. E não se vexe em ficar de fora, apenas assistindo, sempre que não tiver certeza de que a posição é boa, o lote é justo e a tendência, bem definida.

Por Ivan Sant’Anna

Comentário Scalper Trader:

” Não predefinir o seu risco, o tamanho do seu lote, figura entre os três erros mais comuns e danosos que os traders cometem. Comece pequeno. Aumente seu tamanho apenas com uma sequência de ganhos consistentes no trade.  Está muito confortável com o tamanho está na hora de aumentar. Está muito inseguro ou com muito medo de operar, isso pode ser reflexo do tamanho exagerado da sua posição.”

 

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